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A mostrar mensagens de abril, 2026

Crónica: O Luto por uma Possibilidade Perdida

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               Caríssimos leitores,   Há dias em que a vida nos confronta com verdades que não pedimos para sentir. Recentemente, um exame de rotina revelou que o meu DIU de cobre se encontrava fora do sítio e de eficácia nula. E, desde então, tenho navegado por um turbilhão de emoções, pensamentos e possibilidades que, confesso, se revelou mais desafiante do que a travessia do Cabo das Tormentas por Bartolomeu Dias . Não se trataria de uma gravidez planeada. E talvez seja por isso que tudo isto pesa de forma tão estranha — tão contraditória. Permitam-me contextualizar. Durante muito tempo — talvez sempre — ser mãe não fazia parte dos meus planos. Disse-o, sem rodeios, ainda antes de casar, ao homem que hoje é meu marido. Cresci a acreditar que o meu instinto maternal era escasso, quase inexistente. Via-me como alguém demasiado egoísta, pouco dada à responsabilidade que uma vida exige. Havia, além disso, o mundo. A vontade de o...

Crónica: Nunca é suficiente

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          Caríssimos leitores,   Hoje escrevo-vos como mulher. Já alguma vez tiveram dias em que recai sobre vós a sensação de que nascemos com um relógio nas mãos e um número infinito de pratos no ar? Que somos malabaristas do tempo, mas não há aplausos no fim? Há apenas mais um prato a cair, mais uma tarefa a surgir, mais alguém a precisar. Temos de estar disponíveis para tudo e para todos, sempre prontas, sempre inteiras… exceto quando se trata de nós próprias. Para nós, arranja-se depois. Sempre depois. E nesse “depois” que nunca chega, pedem-nos escolhas que não deveriam existir. Como se amar-nos a nós próprias fosse um ato egoísta. Como se tivéssemos de decidir entre sermos fiéis a quem somos ou sermos dignas do amor dos outros. É uma armadilha silenciosa: se nos escolhemos, somos acusadas de frieza; se nos anulamos, somos celebradas pela entrega. Mas ninguém deveria ter de desaparecer para ser amado. E, no entanto, quantas vezes nos tornam...