Bem vindos às crónicas "Lady Cipher's Society Papers"
Caríssimos leitores,
Antes de me apresentar como manda
a etiqueta — ainda que, nos dias de hoje, ela seja mais sugestão do que regra —
permitam-me um pequeno esclarecimento: o conteúdo que têm agora diante do vosso
olhar atento não é, de forma alguma, uma imitação apressada, nem tão pouco uma
tentativa de reproduzir o génio da inesquecível criação de Julia Quinn.
É, antes, uma homenagem — discreta, mas sentida — ao poder que uma mulher,
ainda que fictícia, conseguiu construir apenas com o uso da palavra, e que com
ele mudou o mundo.
Porque, convenhamos, a nossa amada Lady
Whistledown pode não existir fora da ficção, mas o impacto que deixou em
tantos de nós é bem real. Tornou-se, quase sem esforço, prova viva de que a
velha máxima continua atual: a caneta — ou, neste século, talvez o teclado —
continua a ser mais poderosa do que a espada. A coragem de quem observa em
silêncio e, ainda assim, decide falar… isso, meus caros, não passa
despercebido. E tudo isso, reconheço, inspirou-me mais do que seria prudente
admitir.
É, no fundo, o que me proponho a fazer. Não sou
obviamente tão ambiciosa a ponto de querer mudar o mundo, mas é sob o abrigo de
um pseudónimo (confortável confesso, mas indispensável para que eu consiga
trazer até vós a minha verdade inadulterada por outras ideias preconcebidas),
que quero neste espaço, partilhar convosco a minha perspectiva - informada ou
não, certeira ou questionável, não duvido, mas sempre genuína - sobre como vejo
o mundo e tudo o que me rodeia. Não escrevo à procura de validação, nem de
notoriedade. Escrevo para minha satisfação pessoal e na esperança de que,
algures desse lado, alguém leia e se reveja nos meus sentimentos, e quem sabe,
poder ser a voz - ou o grito preso na garganta e que teima em não sair - de
todos os que por alguma razão não se conseguem (ou podem) expressar. Até porque
depois de escritos, até os nossos pensamentos mais intrusivos deixam de ser
abstratos e ganham forma real. Porque talvez seja essa a verdadeira magia —
perceber que não estamos sozinhos nas nossas ideias, nem nas nossas dúvidas e
incertezas.
Antes de mergulharmos em temas mais… inflamáveis — como a tão falada cultura de cancelamento — há algo que precisa de ficar definitivamente claro. E perdoem-me a falta de floreado nesta parte do texto que se segue, mas às vezes a verdade pede simplicidade: opiniões são como os c*s. — cada um tem o seu e todos são diferentes. E ainda bem que assim é ou a vida seria extremamente aborrecida. Assim sendo, ficam desde já prevenidos os espíritos mais facilmente melindráveis que coabitam o universo cibernético, de que este espaço não se destina a ser palco para ataques pessoais, mas sim, um lugar onde, sob o manto do respeito mútuo, cada opinião encontra o seu lugar — sem hierarquias nem imposições - cada uma delas com total e igual legitimidade. O livre-arbítrio não é apenas um conceito ideológico bonito; é um direito que nos foi dado, e que, idealmente, deveríamos respeitar uns nos outros. Concordam comigo? Ótimo. Não concordam? Continua tudo bem. Garanto-vos: nenhuma dessas hipóteses me fará perder o sono. Asseguro-vos que haverão mil e uma outras razões para tal, mas esta não será uma delas.
E por ora, fico-me por aqui.
Se esta pequena amostra de pensamentos — esta
espécie de caos organizado — vos despertar alguma curiosidade, então será um
prazer ter-vos por perto nas próximas reflexões.
Posto isto, é um enorme prazer finalmente
conhecer-vos formalmente, eu sou a vossa Lady Cipher.
Porque alguém tem de o dizer.
Sempre vossa,

Ficarei a aguardar ansiosamente por mais cronicas. Muito boa escrita.
ResponderEliminarComeço por te dar os parabéns.... vamos ver se é desta porque as tecnologias têm destas coisas e vou seguir e partilhar... com a certeza de que sim serão umas excelentes leituras.
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